Terça-feira, 17 de Outubro de 2006

VOLVER

volver.JPG 


Quem me conhece sabe que gosto de Pedro Almodóvar


Quem me conhece sabe que não gosto da Penélope Cruz


Quem me conhece sabe que cultivo um ódio de estimação aos Espanhóis.


Quem me conhece sabe também que sei reconhecer aquilo que é bom e tentar, só tentar, colocar os meus juízos de valor á parte.



Pois foi o que aconteceu com este VOLVER.


A história inicia-se num qualquer cemitério numa aldeia espanhola, mas que poderia ser em qualquer aldeia desta (redundância) Aldeia Global.


Raimunda, Soledade (Sole) e Paula encontram-se a limpar a tumba dos familiares e ao mesmo tempo a conversar com as personagens da aldeia sobre os mexericos da mesma.


Assim se inicia o desenrolar de um argumento muito bem escrito e melhor ainda filmado, em que o génio mau do cinema espanhol mais uma vez demonstra a sua sensibilidade e loucura, nos planos obtidos, nos diálogos entre os personagens e mais ainda no caricato que a vida pode ser.


Raimunda (Penélope Cruz), criada por uma tia, e com uma filha de catorze anos a esconder a sensual mulher que virá a ser, vive com Pablo, personagem muito secundário deste argumento mas essencial para o desenrolar da acção e da vida das mesmas; Mulher sensual, ou assim retratada por Almodóvar, consegue com posturas, vestes, maquilhagem, cabelo, enfim, aquilo que qualquer homem pretende observar numa mulher (as senhoras que me perdoem o comentário machista, mas ninguém sai insensível aquele desfile de luxúria que é Penélope Cruz e a excelente interpretação que faz (o único senão é quando a senhora tenta cantar em Play Back, mas não se aproxima do nosso Carlos Paião) de uma qualquer mulher que trabalha e muito para puder manter uma filha nos dias de hoje).



Ao longo das duas horas de filme assiste-se ao mostrar de uma Espanha bonita no seu interior, mas feia nas suas cidades e bairros que o turista não vê, e que o realizador faz questão de mostrar, com as dificuldades inerentes á sobrevivência dos locais, dos emigrantes (Espanha está a braços com uma crise emigrante maior que a nossa) ilegais que de tudo fazem para sobreviver, á claustrofobia que é viver numa aldeia já morta pela desertificação humana mas que a análise da vida alheia é prato comum e assim quem lá se encontra tem de fazer de tudo para puder viver sem ser perscrutado por tudo e por todos.



Este filme consegue retratar as dores existentes numa sociedade actual e comuns a qualquer país, a Pedofilia oculta, a dificuldade de comunicação entre gerações, o medo da morte, o ocultar da dor de uma vida vivida a dois e mantida apenas para a imagem da sociedade, o explorar da fragilidade de alguém por um qualquer reality show que apenas pretende o lucro e a conquista de audiências.



Senhores e senhoras, Penélope está excelente, Carmen Maura melhor ainda (sempre foi e sempre será uma senhora do cinema espanhol), Lola Duenas, consegue mais uma vez mostrar que temos actriz, a cena de Sole a fugir dos sons que a atemorizam (vejam que percebem) é excelente e consegue fazer apenas com expressões o publico rir a plenos pulmões e finalmente Pedro Almodóvar, desta vez mais leve mas nunca deixando de ser caustico e colocar o dedo nas feridas do seu país, continua a ser dos melhores realizadores da actualidade.


publicado por digiman às 09:34
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1 comentário:
De trucos para jugar tragaperras a 17 de Março de 2009 às 17:18
Como es posible odiar a los españoles y amar a Almodovar, la quitessencia del madrileño, que en cada filme suyo hace un homenaje a sus raices?


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