Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

O Americano

 

O AMERICANO

 

Vamos ver um filme de acção semelhante ao “BOURNE”?

Pois se querem não vão ver este americano, não é de todo o que estamos á espera de um filme com este título e que quem não se embrenha no cinema como alguns de nós pode sentir-se “enganado” no mesmo.

O primeiro filme de um realizador praticamente desconhecido “Anton Corbijn”, até hoje essencialmente dedicado a documentários musicais (realizou alguns dos dvd’s dos U2, Depeche Mode, e fez um documentário “Control” sobre a vida do vocalista dos “Joy  Division”) e agora com um empurrão financeiro do senhor dos cafés dedicou-se á sétima arte de uma forma surpreendente .

Começamos com uma paisagem ilidica e perfeitamente enquadrada nos dias gelados que vivemos em Portugal, em que o Sr. Clooney se passeia com a sua ultima conquista por um mar de neve, de repente, do nada, o homem toma uma acção um pouco surpreendente e revela-se no seu todo, a partir daqui assiste-se a um desenrolar da acção filmado de uma forma extremamente europeia, em alguns momentos faz lembrar o cineasta geriatra “Manoel D’Oliveira”, grandes planos com paisagens lindas, contrastes de verdes com castanhos, a civilização com a natureza.

Filmado na Italia profunda, por vezes fazendo lembrar o nosso país, assiste-se aqui a uma mestria no manejo da camara e do som, consegue perceber-se, como no teatro a mudança de soalho, o eco das casas vazias, enfim um filme para ser visto com todos os sentidos e não só com a vista.

Muito mais que a história de um assassino, aqui vemos Clooney a fazer aquilo que raramente faz e quando o faz fá-lo bem, “Boa Noite e Boa Sorte” é um exemplo disso, a interacção de pessoas completamente antagónicas mas que se aproximam através de pequenas experiências comuns.

A amizade impossivel entre um assassino e um padre, a entrega e descoberta de um amor com uma personagem que não se está á espera, e o despojar de todas as defesas para a defesa e entrega a esse amor.

Bonitos os dialogos entre o Padre e Jack, a cena no jardim em que os bastardos foram concebidos é de uma profundidade gigante, vão ver que percebem, a descoberta de Edward e Clara, em que Edward numa simples frase descreve muitas das relações que conhecemos e quiça vivemos, “estou aqui para receber prazer, não para o dar” é de emocionar até aqueles que por algum motivo estão fechados para o amor.

A música que acompanha este postal turistico de itália e esta história de amor camuflada com acção é muito bem conseguida.

Surpreendeu-me pela positiva este Americano e ao contrário daquele que se bebe numa certa cadeia de cafés que agora se está a instalar em Portugal, fiquei com vontade de ver mais e mais deste realizador.

É pena que provavelmente não vá sequer a nomeações para Oscar, porque merece e muitos, mas provavelmente irá ganhar alguns em Cannes e quem sabe levar uns ursos para casa.

Bonito senhores, muito bonito, vão ver que vale a pena o dinheiro do bilhete.

 

 


publicado por digiman às 19:50
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