Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Prayers For Bobby

 

Prayers for Bobby
 
Em 1980 no meio de milhares de adolescentes que existiam no mundo e especialmente nos Estados Unidos, um em especial vivia numa cidade de interior, numa familia “perfeita”, em que todos viviam felizes e em harmonia de acordo com as crenças religiosas que eram teologizadas naquele templo familiar.
Bobby  namora com uma rapariga do seu colégio mas nota-se que algo de estranho se passa naquela relação, mais nitido se torna quando dentro do carro, em pleno namoro ardente, confessem que todos já passámos pela mesma situação , ela, cujo nome é irrelevante para a história em causa, toma a iniciativa de avançar e se entregar na sua plenitude aquele rapaz que com ela se encontra no carro, aí Bobby toma finalmente consciencia da sua natureza e decide abruptamente, ali e no momento terminar tudo com ela, e assim começa a sua luta.
Bobby que tenta desesperadamente esconder o seu segredo, lutar e tentar mudar aquilo que sente e a forma como o sente, confessa-se inicialmente ao seu irmão mais velho, que por sua vez por se sentir perdido e dominado pela matriarca da familia (leia-se mãe) passa a responsabilidade de tentar ajudar o irmão para esta, Mary ( a mãe) religiosa convicta que não tem coragem sequer de colocar em questão tudo aquilo que se encontra escrito num livro escrito por homens e enaltecido por uma igreja católica na pessoa dos seus colaboradores padres que pregam a chamada fê dentros dos canones pré estabelecidos e não se concedendo a si próprios a possibilidade de evoluirem, tenta na medida do seu ser “curar” o seu filho pois caso contrário nunca estarão juntos na vida eterna.
Temos pormenores intensos e ridiculos de “post it” espalhados pela casa com versiculos da Biblia, conversas com psiquiatras, que acham que uma pessoa homossexual deve ouvir barulhos estranhos e conversar com amigos imaginários, ou com uma figura ausente de um pai ou uma mãe demasiado presente, nunca colocando a sequer a possibilidade de a pessoa ser homossexual porque o é e assim tem que viver e tentar ser feliz.
Cada vez mais oprimido, perseguido por si próprio e logo depois pela mãe, Bobby decide afastar—se para tentar descobrir quem de facto é e se poderá algum dia ter direito a ser feliz como é.
Assim parte para Portland, cidade maior, mais aberta ( será?) e com a ajuda de uma prima, começa a descobrir mais pessoas como ele, como vivem bem com aquilo que são, como se enquadram e vivem naquela sociedade que é a mesma que a dele, mas onde ele se sente mal, mas os outros vivem bem.
Conhece David, que se torna seu namorado, lhe apresenta a vida, a felicidade, a beleza de ser amado, e a não recriminação ou olhar de lado de pessoas que nada julgam ou condenam uma pessoa pela sua sexualidade.
Demasiada informação para um rapaz que sempre foi educado a seguir a fé católica e a respeitar os seus ensinamentos, nem mesmo um padre mais aberto o consegue ajudar a evoluir e a pensar por si próprio pois tudo o que lhe é apresentado e que ele tanto quer se encontra demasiado próximo e como tal assusta-o, assim e depois de anos de tormento interno, duvidas internas, introespecções dolorosas, Boddy toma a saida mais rápida e decide terminar aquilo que estava a começar, a sua vida.
A acção passa de repente para a Mãe, e a sua necessidade de compreender a decisão tomada pelo filho perfeito, o porquê de se encontrar a “arder nas labaredas do inferno, desta vez não por ser homossexual mas sim por ter tirado a sua própria vida”, vê-se isso perfeitamente na missa do funeral, em que alguém que não conhecia Bobby fala dele como se o conhece-se e ao invês de confortar a familia na dor imensa que é perder alguêm amado, apenas refere que o morto, que se encontra á sua frente, não terá o perdão divino e não subira ao céu para se sentar á esquerda do Pai, sim que a direita já se encontra ocupada.
Mary, luta consigo própria, tenta perceber o que se passava na cabeça do filho, lendo e relendo os seus diários, e assim devagar vai abrindo os seus horizontes, vê-se em intereacções de Mary com as restantes personagens do filme, e em diálogos muito, mas muito bem escritos, a sua evolução, a sua abertura, a sua visão da vida mudar aos nossos olhos, até que um dia, finalmente decide fazer da luta do seu filho a sua luta e lutar não por ele mas por todos os adolescentes que vivem neste mundo em geral, nos adolescentes dos Estados Unidos, e de todos os Bobbys deste mundo.
Excelente interpretação da “Senhora Alien”, que aqui mais uma vez demonstra que é uma excelente actriz se o papel for o certo.
 
Para terminar meus amigos apenas vos peço que, digam uma “Prayer for Bobby” e tentem por favor tentem ver este filme e pensar que 1980 não foi assim há tanto tempo e o quão pouco nós evoluimos…..

publicado por digiman às 18:33
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1 comentário:
De Filipa a 28 de Outubro de 2009 às 18:22
Isto é muito bom estar de volta!

A minha mais recente incursão no cinema foi de ficar boquiaberto com Os Homens que Odeiam as Mulheres. Já tinha lido, foi premiado e eu admito a snobeira de ter ido à livraria procurar o livro. E gostei imenso. Fiquei com muita pena de não conseguir lêr em sueco, porque aí é que era....

Abreijos,
Filipa


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