Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

BABEL

“Deus, irado com a ousadia humana, teria feito com que todos os trabalhadores da obra começassem a falar em idiomas diferentes, de modo a que não se pudessem entender, e assim, acabaram por abandonar a sua construção. Foi neste episódio que, segundo a Bíblia, explica a origem dos idiomas na humanidade. (Génesis 10:10; 11:1-9)”

 

É com esta citação que inicio o comentário deste BABEL, sempre na mesma linha que o realizador nos habitou (AMOR CÃO, 21 GRAMAS), no entanto um pouco menos retrocedente que o 21 GRAMAS.

 

O enredo começa numa qualquer montanha de Marrocos, com dois irmãos a brincarem a serem homens, aqui se inicia aquilo a que decidimos chamar de “Efeito Borboleta”, será que existe?

 

Iñárritu aqui tenta demonstrar que de facto existe, de uma forma estranha, mas que no fim faz sentido.

 

Quando um pastor decide comprar uma arma para proteger a sua forma de subsistência, bem como a da sua família, desencadeia toda uma série de acontecimentos que se repercutem pelo mundo. Turistas que viajam num autocarro por montanhas cobertas de cascalho em que a primeira vista é impossível a sobrevivência de algo, mas que se conseguirmos olhar para além das referidas montanhas, conseguimos ver que existe todo um mundo que ali sobrevive, de repente um barulho estranho e toda a acção se inicia, um casal de americanos longe da sua amada América, em apuros, uma adolescente japonesa que não consegue ultrapassar o assistir ao suicido da mãe e com um pai ausente que tenta em pouco tempo recuperar a confiança e o amor que pela ausência nunca o conseguiu obter, uma mexicana a trabalhar no Eldorado que os mexicanos consideram a América, e que por ser mexicana e ter uma profissão pouco digna de respeito para os locais, é tratada como se não tivesse sentimentos ou vida própria e que por esse mesmo motivo embarca numa aventura que não termina da melhor forma.

 

Interessante de ver os conflitos internos e externos de cada personagem á medida que a acção se desenrola, Lindo as interpretações da criada mexicana e da adolescente japonesa, conseguem levar ás lágrimas toda a audiência pela transmissão da dor e do desespero de assistir ao desabar de toda uma vida de trabalho árduo.

 

O realizador consegue, muito em parte devido ao argumento, desenvolver uma crítica mordaz aos chamados países desenvolvidos por pequenas cenas, atravessar uma suposta fronteira, o entregar de dinheiro como pagamento de uma acção humanitária, o pensar que por pertencermos a um pais desenvolvido temos de ser tratados de forma distinta dos locais, o egoísmo próprio de quem vive numa grande metrópole.

 

Vamos então tentar erigir novamente esta torre de BABEL mas sem nos deixarmos afectar por algo tão simples como diferentes pontos de vista. Talvez assim consigamos atingir aquilo que os filhos de NOE não conseguiram e atingir os objectivos iniciais desta TORRE.

 


publicado por digiman às 11:52
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2 comentários:
De Pedro Leite a 24 de Janeiro de 2007 às 19:40
A Torre de Babel está bem mais perto que nós pensamos, e por vezes não queremos ver. e como já disse estou a ficar farto...


De digiman a 25 de Janeiro de 2007 às 16:15
Calma Homem, a vida é feita de situações boas e menos boas, neste momento só temos que aguardar com paciência que o inverno acabe e que a primavera chegue novamente cheia de esperança e novos objectivos


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