Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2005

Odete

odete.bmp Inicio o meu comentário para esta semana, com um sentimento de incógnita sobre a aceitação ou não do público ao filme alvo desta semana (ODETE).


Porquê? Perguntam vós – Eu respondo por tópicos


 1 – Filme Português


 2 – Realizador / Actores praticamente desconhecidos do público


3 – Tema retratado no mesmo demasiado sensível para a sociedade portuguesa


Gostastes? Perguntam vós – Eu respondo SIM mas em prosa.


Confesso que fui ver a medo, pois quem me convidou avisou, atenção que não se trata de um filme comercial, trata-se de filme do circuito alternativo, para cinéfilos que gostam de cinema europeu, e que tenham algum poder de encaixe, pensei, boa lá vou eu fechar-me na sala de um cinema durante duas horas para ver um filme em que 90% do mesmo é uma mancha negra e rodeado de intelectualoides baratos que se armam ao pingarelho e dizem mundos e fundos de algo que não é nada mais ou nada menos que uma mancha negra.


Enganei-me, ODETE, é de facto um filme europeu, no entanto o João Pedro Rodrigues, consegue transmitir a realidade nua e crua da dor de perder alguém que julgamos ser o TAL e a vivência diária com essa dor. Com uma luz difusa e por vezes quase em demasia o João consegue retratar Lisboa como ela é hoje em dia, uma cidade europeia como tantas outras, no entanto com situações tão caricatas que só são passíveis de acontecer numa cidade em que a parte menos boa da dita não existe.


Rui e Pedro, casal de namorados, despedem-se depois de um jantar de aniversário da sua união, Rui com saudades telefona-lhe e a meio da conversa ouve algo perturbador, a partir daqui o João retrata a dor de um jovem que encontrou o amor, e que brutalmente o perdeu, não sabendo como prosseguir sozinho pela calçada da vida.


Odete, funcionária de supermercado de bairro, decide durante um dia normal de trabalho ao olhar para uma cliente que pretende ter um filho, ao comunicar tal decisão ao namorado, o mesmo reage negativamente e terminam a relação de forma desagradável, a partir daqui o João retrata a degradação de uma mulher que perdeu o amor próprio e se encontra perdida no seu ideal de vida. O João tendo sempre como ponto de referência a morte de Pedro e sua “última morada” consegue fazer cruzar a vida deste dois personagens numa viagem bruta, real e honesta, por um lado da vida de um homossexual português e de uma mulher de classe média baixa, como tantas a viver em Lisboa, sem apoios de ninguém.


O único pecado aqui é o de se ter escolhido uma Modelo para desempenhar um papel, muito bom por acaso, mas que a senhora não consegue dar vida nem sequer sentimento na forma de expressão visual.


Filme extremamente realista, com algumas imagens eventualmente chocantes para a nossa Sociedade, ainda extremamente homofóbica, em que a imagem de dois homens apaixonados ainda é chocante, as relações físicas dos mesmos atroz, e a possibilidade de uma mulher tentar encontrar a felicidade sozinha, ainda que por um caminho doentio, é uma realidade inexistente.


 Termino com algo que não gosto de dizer, no entanto penso que neste caso será verdadeiro.


Se não fosse em Portugal o filme seria um sucesso, em Portugal duvido


publicado por digiman às 16:38
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6 comentários:
De venon a 10 de Janeiro de 2006 às 14:51
Maurício, amigo, realmente parece-me que este é o espaço adequado para tal!

Boa! Estás no caminho, :lol: não passa é por este blog


De Venon a 4 de Janeiro de 2006 às 02:16
Eu disse que vinha! ;)
Isto agora vai ser muito mais animado ainda, porque realmente deixaram de existir bons locais para "conversa" de cinema. Já lá vai o tempo do velhinho 7ªArte, tsc tsc.
Já sabes que não vi o Odete, mas vi sim o Fantasma. E desse gostei. Nem que seja pela diferença e pelo falatório, pelo facto de ter e de se poder usar a cabeça (a parte de dentro) para criar as nossas próprias imagens.
Bem haja, e nada de desistir!
*

Filipa aka Venon


De Bad Boy a 3 de Janeiro de 2006 às 22:32
Acho que o cinema português ainda tme de evoluir muito até ser capaz de se afirmar como produtor de correntes alternativas. Mas aprecio o esforço. Só não entendo a fixação por temas já tão recorrentes e batidos quando existem tantos aspectos da nossa sociedade ainda por debater...


De Nuno Cargaleiro a 31 de Dezembro de 2005 às 13:04
Sinceramente não dava nada pelo filme!... Não gostei do "Fantasma"... mas já tenho ouvido falar tão bem deste filme que estou curioso...


De ataque barbaro a 29 de Dezembro de 2005 às 17:48
Sou ainda o unico


De Ataque Barbaro a 29 de Dezembro de 2005 às 17:47
Apenas para dizer : Que bog bonito! E eu que sou o primeiro a fazer um post it....grande abraço


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