Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2006

Memórias de Uma Gueixa

gueixa.jpg

A acção decorre antes da II Grande Guerra em que os mistérios do Oriente, eram isso mesmo, mistérios.

Tradições envoltas em denso nevoeiro de valores que o ocidente não consegue entender.
O filme retrata a vida de Sayuri, que em criança, devido ás vicissitudes da vida e mais uma vez consoante as tradições que desconhecemos, é vendida juntamente com a irmã, para renovar a classe de “acompanhantes” existentes na grande cidade de Osaka.

Assim começam as crónicas de Sayuri e começamos a pensar que se trata de mais um filme em que as acções tomadas por povos que desconhecemos são vistas por olhos de ocidentais, sem conhecimento prático da historia e peso da mesma, e postas em questão ou julgadas de acordo com os cânones ocidentais.
Pois enganem-se meus caros, Rob Marshall consegue aqui numa magnifica palete de pasteis e em pequenos golpes de génio, captar a essência de um povo, e em especial de uma classe que ainda hoje para nós, continua um mistério e ao mesmo tempo fascinante.

Rob Marshall consegue descobrir locais de uma beleza incólume, que durante o decorrer da acção se vão tornando ainda mais bonitas ou se a história para esse lado pender negras, feias e assustadoras.

Com um guião muito bem adaptado, o filme é baseado na obra de Arthur Golden “Memoirs of a Gueixa”, e com um conjunto de actores, praticamente desconhecidos para nós, Ziyi Zhang, actriz principal no filme “O Segredo dos Punhais Voadores” é por exemplo, considerada na China a “Meryl Streep” do Oriente, mas excelentes, conseguem transmitir todo a carga histórica e tradicional a que o povo japonês se apoia e ao mesmo tempo transmitir ao público a dor de uma criança que sem qualquer perspectiva na vida e extremamente mal tratada pela mesma, consegue, com um pequeno gesto simpático de um transeunte, obter a força necessária para vencer na vida e traçar um objectivo.

O filme tenta, e na minha opinião consegue, transmitir-nos o porquê das Gueixas, o que são, como se comportam, como são vistas, e efectuar a distinção entre esta classe e a classe mais baixa, e que só esta existe na nossa cultura ocidental, as prostitutas.

Sayuri, através da sua alma matter “Mameha” ( Michelle Yeoh ), consegue perceber o objectivo de ser Gueixa, e ao mesmo tempo aproximar-se do seu grande Amor, ao passo que Mameha consegue com acções dissimuladas e muito bem tecidas ( qual aranha a volta de sua presa ) assegurar o seu futuro e vingar-se da sua grande rival “Hatsumomo” ( Gong Li ).

Rob Marshall consegue também mostrar aqui que a cultura americana, coisa que nós europeus já sabemos, consegue enraizar-se e destruir até os alicerces mais fundos da cultura de um povo.

É extremamente simples de observar a degradação e a perda de valores associados á invasão americana pós Grande Guerra

Num Filme que mais parece um passeio por uma Galeria de Arte, Rob envolve-nos numa sensualidade extrema sem nunca se aproximar da vulgaridade.

publicado por digiman às 17:12
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2 comentários:
De Giany a 6 de Junho de 2009 às 04:58
Sou uma apaixonada pelo filme, e arta tradiciona das gueixas...
Recomendo tb a Leitura do Livro, de mesmo nome, escrito por Arthur Golden e narrado por Sayury, que relata sua saga real, e que veio a inspirar o filme.




De debora a 6 de Janeiro de 2010 às 02:43
nossa esse foi um dois melhores filmes que eu já vi e revi varias vezes e uma historia linda das gueixas . que jamais eu vou esquecer ..gueixas quer dizer artista.. são extremamente lindas e meiga..


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