Sábado, 11 de Março de 2006

CRASH

crash.jpg


Colisão de carros.


Colisão de Sociedades.


Colisão de Mentalidades.


Colisão de situações que ocorrem diariamente numa qualquer cidade que aqui é retratada como Los Angeles, mas que poderia ser Paris, Londres ou até mesmo Lisboa. É assim que Paul Haggis retrata aquilo que diariamente se passa em qualquer cidade urbana de qualquer lugar do mundo, sempre enfatizando aquilo pelo qual o povo americano ainda hoje se martiriza e tenta a todo custo limpar das memórias dos outros e fundamentalmente da sua, o racismo, a descriminação, os juízos de valor de uma sociedade que vê apenas as coisas a preto e branco (pronto hoje em dia talvez com um pouco de amarelo á mistura).


A acção inicia com duas pessoas a discutir se teriam ou não sido alvos de discriminação num restaurante devido ao mau serviço prestado, dialogo este sempre muito bem interligado de "gags" que o tornam mais leve, e que subitamente passa para as reacções que as pessoas têm ao depararem-se com algo estranho nas suas vidas.


Filme complexo em termos de interligações de personagens, ou talvez de vidas, e que deverá ser sempre seguido com atenção correndo o espectador o risco de perder alguma imagem que no fim se vai tornar essencial ao desenrolar dos acontecimentos.


Neste CRASH conseguimos retratarmo-nos em qualquer um dos personagens envolventes sem grande esforço, quanto mais não seja por uma frase dita na hora certa, mas no espaço errado, com algumas cenas de violência psicológica, Paul Haggis consegue, com muito mérito dos actores envolvidos, mostrar a mudança que a sociedade está a tentar levar a cabo, com muitos tropeções e algumas escorregadelas, não deixando com isto de mostrar a corrupção envolvente em qualquer local e em qualquer pessoa, por muito honesta ou nobre que ela seja.


Não querendo com este comentário retirar o mérito ao filme, bom diga-se de passagem, o mesmo não traz nada de novo quer em argumento, quer em forma de filmar, quer na qualidade dos actores envolvidos, todos nós, excepto alguns membros de uma determinada academia, sabemos a qualidade que Matt Dillon possui, desculpem mas tinha que dize-lo.


É bonito de se ver a dificuldade Cameron tem em lidar com aquilo que a sociedade pretende que ele seja e se comporte e que a sua própria vivência lhe ensinou para que o seu percurso terreno seja mais fácil, seja na convivência com a sua esposa, que ainda não sabe mas pertence á raça negra, e que julga que dado o facto de os seus antepassados terem lutado pela igualdade de direitos a mesma ainda não se concretizou, quer na convivência com os seus pares no local de trabalho em que todos esperam determinada acção e determinadas frases de alguém que venceu por mérito e por a muito custo ter sabido estar calado em algumas situações, excelente interpretação de Terrence Howard, ou também a mudança subtil que acontece ao longo do filme á personagem de Don Cheadle que atinge o seu pico na altura em que é obrigado a tomar uma decisão e como todos nós opta pela mais fácil, deitando por terra todos os seus ideais.


E é com este CRASH que cai neve em Los Angeles……


publicado por digiman às 22:56
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