Segunda-feira, 3 de Abril de 2006

NORTH COUNTRY

northcountry.jpeg


Terra Fria, gelada quer em condições meteorológicas quer em evolução de uma sociedade habituada a ter os seus valores inalterados e nunca sendo postos em questão.


A acção inicia-se no princípio dos anos 80 em que a violência doméstica não era algo que se falasse abertamente e o facto de uma mulher ser violada era sinal de que se tinha "oferecido" ao homem que a tinha violado.



Josey cansada de ser saco de pancada para a pessoa que partilhava a sua vida e a dos seus filhos, cansada de não ter a sua independência financeira, decide mudar o seu rumo e o modo como se enquadra naquela cidade do interior dos E.U.A. envolvente a uma mina de carvão e que depende na sua génese da mesma.



Inicia-se aqui aquilo que os anos oitenta também representaram, não foi só a subida de Madonna e de Michael Jackson ao Trono da música POP, a mudança de mentalidades e a forma de se ver as coisas.



Josey representando a luta pela independência das mulheres e pelo seu lugar no mercado de trabalho, faz estremecer a cidade quando aceita um emprego na mina, que abre vagas para as mulheres apenas para que a inspecção do trabalho não a persiga, e começa a exigir aquilo que deveria ser seu por defeito, o respeito e as mesmas condições que os seus colegas de profissão já possuíam.



Filme bem conseguido em termos de imagens, conseguimos perceber perfeitamente a força bruta dos homens, nas máquinas, ruídos e pó de carvão, bem como a sensibilidade feminina nas paisagens abrangentes e fascinantes, perfeitamente enquadradas na acção e no desenrolar da história.



Paralelamente à história principal assiste-se ainda a diversas batalhas pessoais e que na altura eram escondidas por ignorância e por quem sabe talvez abanarem, como a dinamite abana os alicerces da mina, os alicerces da sociedade da época, a luta de Josey por ganhar o respeito dos seus filhos, dos seus pais e dos seus poucos amigos, a luta de Glory contra a doença que lhe tolhe o corpo, analogia para a castração que a sociedade machista fazia ás mulheres da altura, o mostrar da força que uma mulher no seio da família sem que ninguém se aperceba possui, e muito bem conseguido por uma Sissy Spacek que passeia pelo filme como uma brisa refrescante contrastando com o furacão de emoções associado ás personagens das mineiras.



Assiste-se também ao lutar de um homem contra as intempéries da vida, e que teima em o colocar no chão quando o mesmo se tenta levantar, analogia também para que o começar de novo é sempre possível desde que se queira e nos empenhemos a fundo no mesmo.



Nada de novo traz este North Country, mas de vez em quando vale a pena ver um filme apenas para apreciar as técnicas de representação de excelentes actores, a limpidez das imagens conseguidas por uma bonita fotografia, enfim aquilo que todos nós esperamos assistir quando compramos um bilhete de cinema e que por vezes não conseguimos ter.


publicado por digiman às 09:21
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