Quinta-feira, 13 de Julho de 2006

BEING JÚLIA

being julia.jpg


Demorei algum tempo até conseguir ver este filme, sem os juízos de valor que possuo associados á actriz principal do mesmo (Annete Benning).


Parvo, digo eu, a senhora demonstra aqui que quando quer consegue ser uma excelente actriz, capaz até de convencer Sua Majestade que é uma súbdita sua desde a infância, tamanho o sotaque londrino com que fala durante esta hora e quarenta de filme.


A acção decorre na Londres dos anos 50, altura em que o teatro está no seu apogeu e se vivia um clima de estabilidade mundial, que a sociedade se permitia não pensar em questões complexas e limitar-se ás trivialidades da vida.


Júlia Lambert, actriz maior do teatro londrino, casada com um actor frustrado, que conseguiu colocar o seu talento ao serviço do teatro tornando-se num dos maiores encenadores da época ( papel desempenhado por Jeremy Irons), desempenha uma determinada peça, patrocinada por uma senhora ( com tendências sexuais obscuras) rica, há tanto tempo que não consegue sequer lembrar-se da anterior.


Assim entra numa crise em que pretende o fecho do teatro para que (segundo ela possa descansar e recuperar forças para a próxima temporada que se aproxima).


Perante tal cenário o Marido (apenas no papel, pois como alguém a meio do mesmo refere possuem um casamento moderno (aparências digo eu) apresenta-lhe algo que sabe que a irá refrescar e fazer mudar de ideias.


Assim se inicia um argumento, adaptado de uma obra de W. Somerset Maugham’s, um dos senhores do teatro inglês, em que Júlia nunca em aspecto algum da sua vida se consegue libertar da sua faceta de actriz e como tal originando situações caricatas e muitas vezes roçando o ridículo e outras levando ao pico da emoção, tudo isto via expressões de olhar, frases com uma certa entoação e até mesmo gestos por parte de Annete Benning, a senhora aqui consegue, com talento, mas também com excelentes caracterizadores, transformar-se em mulher de trinta anos, de cinquenta e novamente em trinta sem qualquer plástica.


Mais uma vez se demonstra que o amor tem obrigatoriamente que ter dois intérpretes na dança e que se um não sabe os passos o outro vai ser pisado.


Consegue ainda, mais uma vez, provar que a vingança é um prato que se serve frio e de preferência com humor á mistura.


Termino com aquilo que acho que se vai tornar num excelente actor se lhe derem oportunidade e se perder o ar andrógino, de que já todos nós estamos fartos, ou bem que é homem ou bem que é mulher, a mistura do dois não existe e não é de todo bonito de se ver. Tudo isto para apresentar Roger (filho de Júlia) e que em pouco mais de 30 minutos de acção consegue envolver-nos para que a sua imagem se retenha no mais profundo recanto do nosso cérebro.


publicado por digiman às 13:47
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