Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

BURLESQUE

Pois que lá fui eu com uma expectativa grande, pois gosto de musicais e os ultimos não me desiludiram, ver este burlesque e não é que:

De burlesco pouco ou nada têm, não glorifica esta forma de arte, ultimamente tão divulgada e apregoada por “Dita von Tease”, e com décadas de provas dadas no quartier latin de Paris de França, mais conhecido por “Moulin Rouge”.

Obra fraquinha, muito fraquinha, com poucos ou nenhuns diálogos interessantes, um sofrimento atroz para quem gosta de cinema, e uma optima forma de se ver um concerto de Cristina Aguilera sob a pseudo forma de cinema.

 

Nem a Cher nos safa, a não ser nos dois, muito pequenos, apontamentos musicais.

 

O filme é, como diz um amigo meu, mais do mesmo, a criatura pobrezita que foge de uma terreola qualquer sem dinheiro, para tentar vingar no mundo do espectáculo de uma grande cidade, que é maltrada por tudo e todos, roubada e quando já nada mais lhe pode acontecer, arranja emprego num bar para tentar subir ao palco e provar que é de facto uma artista, ring a bell anyone?????.

Aborrecido, desenchabido e entediante, não vale em lado algum o dinheiro do bilhete, nem mesmo para as meninas verem o corpito nu de um dos personagens, que segundo rezam as crónicas é muito bem apessoado.

 

Assim divagamos, com vontade de, se o tivessemos, carregar no botão do fast forward, por estas duas horas de cinema.

 

Comentário fraquinho para um filme que não merece muito mais, não vão ver, nem mesmo se forem fãs da Cristina Aguillera.

 


publicado por digiman às 18:12
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CISNE NEGRO

Um dos melhores filmes do ano, será?

 

Para mim foi de certeza, mas sou suspeito, o filme tocou-me em lugares tão profundos do meu ser que só podia gostar do mesmo, mas deixemo-nos de falar da minha pessoa para passarmos a falar do que aqui realmente interessa, ou seja, esta obra genial que se chama Cisne Negro.

 

Desenganem-se aqueles que julgam que vão ver uma versão cinematográfica de um bailado mítico. Não meus caros trata-se de muito mais que isso e o bailado é apenas uma forma bonita de disfarçar o terror enorme do que se passa na cabeça de muito boa gente.

Darren Aronofsky, sim é dificil de prenunciar, mas se falar-mos de o Lutador ( the Wrestler), talvez reconheçam a criatura, verdade?, apresenta-nos aqui uma obra prima da arte cinematográfica e eleva ao pináculo máximo do cinema a pequenita “Queen Amidala” ou a sedutora “Alice”, mais conhecida como Natalie Portman.

 

Dificil de perder a estatueta dourada este ano, mas com os americanos tudo é possivel, “Nina” uma promissora bailarina de ballet clássico, luta como todos os da sua arte por ser a primeira e obter desta forma os melhores papeis e a atenção do mundo.

“Nina”, demasiado técnica, influenciada por uma mãe ultra protectora, desconhece as dores e prazeres do amor, e como tal por muito que se esforçe não consegue passar para o público a emoção de tal sentimento, que todos procuramos, e dessa forma sai prejudicada na sua luta pelo papel principal do bailado a ser ensaido.

Aqui começa o desenrolar de uma história, muito pessoal e uma luta mais fechada ainda, qe “nina” tem consigo própria e com as visissitudes que a envolvem diáriamente.

Obcecada por se fazer notar, sentir, amar pelo director artistico da companhia, mas demasiado receosa, por desconhecimento de causa, de se dar e entregar a tal sentimento.

Começamos a aperceber-nos da guerra interna da própria quando ao olhar-se no espelho se vê muito mais que o rosto mas todos os terrores que correm no seu espirito.

De uma intensidade dramática horripilante, não é de todo para pessoas sem a cabeça bem assente nos ombros, ou talvez deva ser obrigatório, pois de certeza absoluta que muitos de nós nos vamos ver retratados em pequenos pormenores dos terrores da pequena diva.

Com momentos de bailado lindos de morrer, diálogos ou monólogos, como o queiram interpretar excelentes e desempenhados com mestria por todos os actores envolvidos, temos aqui um filme arrebatador não pelo sentido da paixão nele contido, mas pelo demonstrar cru e sem máscaras da dupla personalidade que quer o cisne negro possui quer a nossa pequena israelita.

Confesso que chorei bastante a ver este Cisne Negro, e que fiquei terrivelmente perturbado com o mesmo, talvez por me retratar tanto nos temores da “prima Ballerina”.

Vão ver, que vale muito, mas muito mais que os seis euros que hoje custa uma sessão cinematográfica.

Não façam como eu por favor e não o vão ver sozinhos, este é um filme que precisa obrigatóriamente de ser visto acompanhado pois o murro no estomago é demasiado violento para o aguentar-mos sozinhos.

 


publicado por digiman às 17:51
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

O Americano

 

O AMERICANO

 

Vamos ver um filme de acção semelhante ao “BOURNE”?

Pois se querem não vão ver este americano, não é de todo o que estamos á espera de um filme com este título e que quem não se embrenha no cinema como alguns de nós pode sentir-se “enganado” no mesmo.

O primeiro filme de um realizador praticamente desconhecido “Anton Corbijn”, até hoje essencialmente dedicado a documentários musicais (realizou alguns dos dvd’s dos U2, Depeche Mode, e fez um documentário “Control” sobre a vida do vocalista dos “Joy  Division”) e agora com um empurrão financeiro do senhor dos cafés dedicou-se á sétima arte de uma forma surpreendente .

Começamos com uma paisagem ilidica e perfeitamente enquadrada nos dias gelados que vivemos em Portugal, em que o Sr. Clooney se passeia com a sua ultima conquista por um mar de neve, de repente, do nada, o homem toma uma acção um pouco surpreendente e revela-se no seu todo, a partir daqui assiste-se a um desenrolar da acção filmado de uma forma extremamente europeia, em alguns momentos faz lembrar o cineasta geriatra “Manoel D’Oliveira”, grandes planos com paisagens lindas, contrastes de verdes com castanhos, a civilização com a natureza.

Filmado na Italia profunda, por vezes fazendo lembrar o nosso país, assiste-se aqui a uma mestria no manejo da camara e do som, consegue perceber-se, como no teatro a mudança de soalho, o eco das casas vazias, enfim um filme para ser visto com todos os sentidos e não só com a vista.

Muito mais que a história de um assassino, aqui vemos Clooney a fazer aquilo que raramente faz e quando o faz fá-lo bem, “Boa Noite e Boa Sorte” é um exemplo disso, a interacção de pessoas completamente antagónicas mas que se aproximam através de pequenas experiências comuns.

A amizade impossivel entre um assassino e um padre, a entrega e descoberta de um amor com uma personagem que não se está á espera, e o despojar de todas as defesas para a defesa e entrega a esse amor.

Bonitos os dialogos entre o Padre e Jack, a cena no jardim em que os bastardos foram concebidos é de uma profundidade gigante, vão ver que percebem, a descoberta de Edward e Clara, em que Edward numa simples frase descreve muitas das relações que conhecemos e quiça vivemos, “estou aqui para receber prazer, não para o dar” é de emocionar até aqueles que por algum motivo estão fechados para o amor.

A música que acompanha este postal turistico de itália e esta história de amor camuflada com acção é muito bem conseguida.

Surpreendeu-me pela positiva este Americano e ao contrário daquele que se bebe numa certa cadeia de cafés que agora se está a instalar em Portugal, fiquei com vontade de ver mais e mais deste realizador.

É pena que provavelmente não vá sequer a nomeações para Oscar, porque merece e muitos, mas provavelmente irá ganhar alguns em Cannes e quem sabe levar uns ursos para casa.

Bonito senhores, muito bonito, vão ver que vale a pena o dinheiro do bilhete.

 

 


publicado por digiman às 19:50
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Jogo Limpo

 

JOGO LIMPO
O que dizer do que já tanto foi dito?
Confesso que me é dificil de escrever este comentário, por diversas razões, algumas pessoais e outras por saber que como tanta tinta já correu sobre este assunto pouco ou nada existe a comentar.
Sou fã incondicional do Sr. Sean Pean, e foi este um dos principais motivos que me levou a ir ver este fime.
Mas deixemo-nos de dissertações e passemos aos factos.
O enredo inicia-se pós 11 de Setembro em que pelos motivos óbvios os Estados Unidos encontram-se em pés de lã e em receio constante de novos ataques.
Valerie Plame ( Naomi Watts), uma figura real neste mundo, uma agente da CIA é confrontada com uma mudança brusca na sua agenda profissional tendo sido convidada para um novo projecto a pedido dos mais elevados quadros politicos do país, verificar se de facto o Iraque se está a preparar para produzir armas de destruição em massa.
E assim começa a história deste filme, em que podemos apreciar os requintes de sedução de um dos maiores paises estrategas do mundo, e se nos consequirmos abstrair, do cor de rosa ficticio que embora estejamos a tentar destruir os nossos supostos inimigos nos preocupamos com vidas inocentes, tipicamente americano eu sei, e ver de que forma os tentáculos desta máfia legal deste país se esticam aos recantos mais longiquos deste berlinde azul, Wikkielinks diz-vos algo?
Com uma actriz que cresce de uma forma amgistral ao correr desta quase duas horas acompanhada e amparada por Sean Penn ( Joe Wilson, marido e ex-embaixador do país), que trava uma luta inglória contra o establishment e tenta por todos os seus meios limpar aquilo que de mais precioso tem e defender o que no seu ser é o mais importante, a sua honra, e para este grande e mal amado actor bastam dois minutos de interpretação dramática e romantica para vermos toda a qualidade deste monstro.
Bem filmado, a fotografia e os ângulos muito bem conseguidos, um argumento denso e quase teatral, algo a que não estamos habituados a ver vindo de Hollywood, se gostarem e quiserem vão ver, vale a pena o dinheiro.
A quem me acompanhou a mais esta sessão o meu obrigado e espero que tenha efectivamente gostado.

 

 


publicado por digiman às 15:20
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Prayers For Bobby

 

Prayers for Bobby
 
Em 1980 no meio de milhares de adolescentes que existiam no mundo e especialmente nos Estados Unidos, um em especial vivia numa cidade de interior, numa familia “perfeita”, em que todos viviam felizes e em harmonia de acordo com as crenças religiosas que eram teologizadas naquele templo familiar.
Bobby  namora com uma rapariga do seu colégio mas nota-se que algo de estranho se passa naquela relação, mais nitido se torna quando dentro do carro, em pleno namoro ardente, confessem que todos já passámos pela mesma situação , ela, cujo nome é irrelevante para a história em causa, toma a iniciativa de avançar e se entregar na sua plenitude aquele rapaz que com ela se encontra no carro, aí Bobby toma finalmente consciencia da sua natureza e decide abruptamente, ali e no momento terminar tudo com ela, e assim começa a sua luta.
Bobby que tenta desesperadamente esconder o seu segredo, lutar e tentar mudar aquilo que sente e a forma como o sente, confessa-se inicialmente ao seu irmão mais velho, que por sua vez por se sentir perdido e dominado pela matriarca da familia (leia-se mãe) passa a responsabilidade de tentar ajudar o irmão para esta, Mary ( a mãe) religiosa convicta que não tem coragem sequer de colocar em questão tudo aquilo que se encontra escrito num livro escrito por homens e enaltecido por uma igreja católica na pessoa dos seus colaboradores padres que pregam a chamada fê dentros dos canones pré estabelecidos e não se concedendo a si próprios a possibilidade de evoluirem, tenta na medida do seu ser “curar” o seu filho pois caso contrário nunca estarão juntos na vida eterna.
Temos pormenores intensos e ridiculos de “post it” espalhados pela casa com versiculos da Biblia, conversas com psiquiatras, que acham que uma pessoa homossexual deve ouvir barulhos estranhos e conversar com amigos imaginários, ou com uma figura ausente de um pai ou uma mãe demasiado presente, nunca colocando a sequer a possibilidade de a pessoa ser homossexual porque o é e assim tem que viver e tentar ser feliz.
Cada vez mais oprimido, perseguido por si próprio e logo depois pela mãe, Bobby decide afastar—se para tentar descobrir quem de facto é e se poderá algum dia ter direito a ser feliz como é.
Assim parte para Portland, cidade maior, mais aberta ( será?) e com a ajuda de uma prima, começa a descobrir mais pessoas como ele, como vivem bem com aquilo que são, como se enquadram e vivem naquela sociedade que é a mesma que a dele, mas onde ele se sente mal, mas os outros vivem bem.
Conhece David, que se torna seu namorado, lhe apresenta a vida, a felicidade, a beleza de ser amado, e a não recriminação ou olhar de lado de pessoas que nada julgam ou condenam uma pessoa pela sua sexualidade.
Demasiada informação para um rapaz que sempre foi educado a seguir a fé católica e a respeitar os seus ensinamentos, nem mesmo um padre mais aberto o consegue ajudar a evoluir e a pensar por si próprio pois tudo o que lhe é apresentado e que ele tanto quer se encontra demasiado próximo e como tal assusta-o, assim e depois de anos de tormento interno, duvidas internas, introespecções dolorosas, Boddy toma a saida mais rápida e decide terminar aquilo que estava a começar, a sua vida.
A acção passa de repente para a Mãe, e a sua necessidade de compreender a decisão tomada pelo filho perfeito, o porquê de se encontrar a “arder nas labaredas do inferno, desta vez não por ser homossexual mas sim por ter tirado a sua própria vida”, vê-se isso perfeitamente na missa do funeral, em que alguém que não conhecia Bobby fala dele como se o conhece-se e ao invês de confortar a familia na dor imensa que é perder alguêm amado, apenas refere que o morto, que se encontra á sua frente, não terá o perdão divino e não subira ao céu para se sentar á esquerda do Pai, sim que a direita já se encontra ocupada.
Mary, luta consigo própria, tenta perceber o que se passava na cabeça do filho, lendo e relendo os seus diários, e assim devagar vai abrindo os seus horizontes, vê-se em intereacções de Mary com as restantes personagens do filme, e em diálogos muito, mas muito bem escritos, a sua evolução, a sua abertura, a sua visão da vida mudar aos nossos olhos, até que um dia, finalmente decide fazer da luta do seu filho a sua luta e lutar não por ele mas por todos os adolescentes que vivem neste mundo em geral, nos adolescentes dos Estados Unidos, e de todos os Bobbys deste mundo.
Excelente interpretação da “Senhora Alien”, que aqui mais uma vez demonstra que é uma excelente actriz se o papel for o certo.
 
Para terminar meus amigos apenas vos peço que, digam uma “Prayer for Bobby” e tentem por favor tentem ver este filme e pensar que 1980 não foi assim há tanto tempo e o quão pouco nós evoluimos…..

publicado por digiman às 18:33
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Sábado, 26 de Setembro de 2009

Grey’s Gardens

Grey’s Gardens
 
O título não vos diz nada, pelo menos às pessoas que estão habituadas a ver os filmes que se encontram em cartaz e que gostam de cinema., não é de estranhar, desta vez trata-se de um telefilme que este ano arrebatou algumas das estatuetas mais importantes dos Emmy’s, (realço o prémio para melhor actriz principal e melhor telefilme dramático).
A acção decorre no seio de uma família abastada dos E.U.A., com incidência na relação entre mãe e filha ( Jessica Lange e Drew Barrymore)
O filme inicia com a imagem de um colar a ser colocado no elegante pescoço de uma senhora e a mesma a contar a história da jóia a uma criança, assim começa a história desta família.
A mãe, dona de casa com diversos empregados a tomar conta dos filhos, enquanto a mesma se diverte com o professor de música dos ditos. Como qualquer família, vivem das aparências, aparência de felicidade conjugal, aparência de riqueza (com ênfase nesta aparência obtém-se ao longo da acção diversos registos emocionais muito bem representados por Jessica Lange).
Edith, tal mãe tal filha, está prestes a ser apresentada á sociedade norte americana no baile de debutantes, já com o casamento apalavrado pelos pais, com o filho de um casal rico e abastado, como seria de esperar, no entanto a mesma, quer, com o seu ímpeto de juventude, viver os seus sonhos, cantar e representar, situação que não agrada de todo a um pai que se nota ausente.
Assim iniciamos o percurso de vida destas duas mulheres, em que ao longo das décadas esgrimem argumentos entre elas, ora odiando-se (palavra forte, mas se virem o filme percebem o porquê da sua utilização, pois estas duas mulheres não sabem viver de outra forma se não no limite de tudo) ora amando-se de tal forma que é impossível a alguém de fora perceber a força de tal ligação.
Através da degradação da residência de verão, que se acaba por tornar a única residência, conseguimos ver a degradação física e psicológica das personagens, e emocionarmo-nos facilmente com a necessidade do manter de aparências, num simples atender de telefone, no vestir de roupas gastas de uso e com o recurso á imaginação referem que se tratam de opções cómodas para o campo.
Quando são visitadas por dois cineastas com a ideia de efectuarem um documentário sobre as mesmas, Edie (a filha) fica felicíssima por finalmente conseguir obter a possibilidade de realização do seu grande sonho, ser actriz e mostrar as suas capacidades de dança. Com este documentário percorremos em retrospectiva a vida destas duas mulheres, que por vezes se interligam e outras se separam, mas que nunca conseguem distanciar muito tempo.
Com uma cuidada fotografia, efeitos luminosos, guarda-roupa, mas acima de tudo, a dedicação total de duas excelentes actrizes conseguimos em duas horas, emocionarmos e chorar com elas como também nos conseguimos rir copiosamente apenas com uma expressão de olhar de Edie (mãe).

Tentem achar este “Grey’s Gardens” em qualquer lado, é muito mas muito bonito de se ver. Os prémios foram bem entregues


publicado por digiman às 13:06
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

THE CURSE OF THE GOLDEN FLOWER

 

Seguindo a tradição dos filmes asiáticos, este “Maldição da Flor Dourada”, segue a mesma linha de grandes e coloridos cenários, quantidades absurdas de extras, tradições desconhecidas para os ocidentais e por tal facto tão fascinantes.

 

A acção decorre dentro da Cidade Proibida, numa época em que o Imperialismo estava vivo e de boa saúde e o Imperador e sua família eram tratados como divindades que estavam neste mundo terreno para orientarem e cuidarem dos comuns mortais.

 

A Imperatriz que sozinha nos palácios da referida cidade, vive a sua vida pelas orientações dadas pelo Imperador, que lhe “aconselha” um tratamento para uma qualquer doença que ela desconhece mas que desconfia não ter.

 

Assim se inicia um enredo, que como em todas as histórias asiáticas, se torna complexo e rodeado de tradições que os ocidentais não conseguem entender.

 

O Guarda-roupa excelente, os acessórios utilizados de uma complexidade e significado que vão muito além daquilo que conseguimos ver, os pormenores dos cenários onde a acção se passa Geniais e os movimentos das personagens teatrais ou se assim o quiserem interpretar, passos de dança num bailado irrepreensível.

 

Neste filme assistimos á corrupção existente em qualquer lugar, muito especialmente em locais onde o poder impera e pelo poder nos regemos. O tecer de uma teia á volta de todas as pessoas que cercam esta Imperatriz, tão bem tecida que quase resulta.

 

O percorrer dessa mesma teia, por um Imperador que todos pensamos ausente mas que consegue estar sempre um passo á frente de tudo e de todos, excepto do filho mais novo que é o único que o consegue surpreender e por tal surpresa sofre o castigo mais pesado.

 

A sede por um poder inatingível que termina com a queda de um anjo, que só toma as acções e partidos que toma por amor a algo que todos temos e que não conseguimos explicar.

 

A ânsia de uma vingança que aqui se prova que é servida fria, os jogos de poder entre os serviçais, enfim voltamos a puder encher a vista com este filme que segue o mesmo caminho do “Tigre e o Dragão” e o “Segredo dos Punhais Voadores”.

 

Vão ver, quanto mais não seja enchem a vista com toda aquela cor e imensa profundidade das paisagens e cenários.

 


publicado por digiman às 21:29
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

A RAINHA

Foi com alguma expectativa que fui ver este “RAINHA”, no entanto e pese embora o facto de ter gostado do filme, não me convenceu.

O porquê da nomeação para o Óscar da Melhor Actriz, o porquê de ter ganho o globo para melhor actriz. Claro que não podemos nunca dizer que Ellen Mirren não desempenha correctamente o papel que lhe foi destinado, no entanto e só por isso, é na maquilhagem, na escolha do guarda-roupa, que a personagem se cola á Rainha de Inglaterra.

Assim se Óscar fosse para estas características nada teria a dizer.

Passando ao filme em si e deixando-me de dissertações que não são mais que isso, o filme retracta o final do verão de 1997 e toda a feira que foi criada perante a morte de Diana e a ascensão a primeiro-ministro de Tony Blair.

O argumento tenta demonstrar aquilo que o publico não viu e que (especialmente o britânico) gostaria que fosse o que tivesse acontecido.

Assiste-se a uma demonstração de vida familiar numa família, sim que ao fim e ao cabo, são uma família, que por ser alvo de toda a atenção, que eles próprios criaram á sua volta, e que não querendo admitir gostam da mesma.

Vê-se a tentativa de um avô proteger e fazer com que a dor dos seus netos seja diminuída, numa forma nada habitual para o comum dos mortais, mas mais uma vez eles não são comuns. A caricatura de uma rainha-mãe no fim dos seus dias, mas ainda conhecedora da realidade e com frases que só a idade lhe permitem dizer e ser perdoada por tal.

O crescimento de um Charles que apoiando-se na morte da sua ex-mulher tenta fazer com que a família real evolua para o século XX e que se adapte a esta nova forma de gerir a sua popularidade.

Á ascensão de um homem comum ao mais alto cargo político em terras de sua majestade, com uma mulher inteligente por trás de si a ajudá-lo mas também a tentar fazer valer os seus ideais.

Fundamentalmente assiste-se a dois pontos de vista diferentes de viver uma dor que é curada por cada um de nós de forma diferente, mas que no fim todos queremos o mesmo, vivê-la em silêncio, em reclusão e por a própria ter criado o circo á sua volta teve de lidar com o mesmo, nunca pensando nos seus filhos, da forma que em vida viveu. NAS LUZES DA RIBALTA.


publicado por digiman às 16:14
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

BABEL

“Deus, irado com a ousadia humana, teria feito com que todos os trabalhadores da obra começassem a falar em idiomas diferentes, de modo a que não se pudessem entender, e assim, acabaram por abandonar a sua construção. Foi neste episódio que, segundo a Bíblia, explica a origem dos idiomas na humanidade. (Génesis 10:10; 11:1-9)”

 

É com esta citação que inicio o comentário deste BABEL, sempre na mesma linha que o realizador nos habitou (AMOR CÃO, 21 GRAMAS), no entanto um pouco menos retrocedente que o 21 GRAMAS.

 

O enredo começa numa qualquer montanha de Marrocos, com dois irmãos a brincarem a serem homens, aqui se inicia aquilo a que decidimos chamar de “Efeito Borboleta”, será que existe?

 

Iñárritu aqui tenta demonstrar que de facto existe, de uma forma estranha, mas que no fim faz sentido.

 

Quando um pastor decide comprar uma arma para proteger a sua forma de subsistência, bem como a da sua família, desencadeia toda uma série de acontecimentos que se repercutem pelo mundo. Turistas que viajam num autocarro por montanhas cobertas de cascalho em que a primeira vista é impossível a sobrevivência de algo, mas que se conseguirmos olhar para além das referidas montanhas, conseguimos ver que existe todo um mundo que ali sobrevive, de repente um barulho estranho e toda a acção se inicia, um casal de americanos longe da sua amada América, em apuros, uma adolescente japonesa que não consegue ultrapassar o assistir ao suicido da mãe e com um pai ausente que tenta em pouco tempo recuperar a confiança e o amor que pela ausência nunca o conseguiu obter, uma mexicana a trabalhar no Eldorado que os mexicanos consideram a América, e que por ser mexicana e ter uma profissão pouco digna de respeito para os locais, é tratada como se não tivesse sentimentos ou vida própria e que por esse mesmo motivo embarca numa aventura que não termina da melhor forma.

 

Interessante de ver os conflitos internos e externos de cada personagem á medida que a acção se desenrola, Lindo as interpretações da criada mexicana e da adolescente japonesa, conseguem levar ás lágrimas toda a audiência pela transmissão da dor e do desespero de assistir ao desabar de toda uma vida de trabalho árduo.

 

O realizador consegue, muito em parte devido ao argumento, desenvolver uma crítica mordaz aos chamados países desenvolvidos por pequenas cenas, atravessar uma suposta fronteira, o entregar de dinheiro como pagamento de uma acção humanitária, o pensar que por pertencermos a um pais desenvolvido temos de ser tratados de forma distinta dos locais, o egoísmo próprio de quem vive numa grande metrópole.

 

Vamos então tentar erigir novamente esta torre de BABEL mas sem nos deixarmos afectar por algo tão simples como diferentes pontos de vista. Talvez assim consigamos atingir aquilo que os filhos de NOE não conseguiram e atingir os objectivos iniciais desta TORRE.

 


publicado por digiman às 11:52
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

The Whale Rider

thewhalerider1.jpg


Tradição


Neste mundo em que a globalização e a massificação são palavras de ordem, em que os nossos democráticos lideres nos orientam para a cultura global, e para a perca da identidade própria de um povo em prole de um bem maior, a Unificação dos povos.


                                               


A Domadora de Baleias mostra-nos de uma forma simples, com imagens de uma beleza antiga e diálogos ainda mais remotos, que o caminho não será bem esse:


Dentro de uma cultura que para os ocidentais ainda é mais estranha que a oriental, a cultura do povo nativo desse pais tão distante, belo, fascinante e ainda misterioso como a Nova Zelândia, chega-nos a história do nascimento desse povo (Maori), que nos dias de hoje se vê confrontado com a evolução versus tradição. A tradição indica que quem sucede ao actual líder é o filho primogénito, e para tal o mesmo será educado e ensinado de forma a puder comunicar com os deuses e orientar o seu povo para o caminho do sucesso e vingança num mundo austero.


Movido pelo desgosto de ter perdido a mulher e um dos filhos devido a complicações no parto, Porourangi decide partir em busca de um novo recomeço, e por para traz toda a carga tradicional que carrega por ser filho do actual líder, e a imposição de ele próprio se ter que tornar líder.


Colocado a braços com uma neta que não quer, Koro, aprende a amá-la mas não consegue evoluir e aceitar que até mesmo as tradições podem evoluir, e aceitar a neta como herdeira da sua responsabilidade de chefia.


Assim começa esta história com diversos caminhos sinuosos, como o próprio país, cheio de altas e monumentais montanhas, em que se assiste á quebra da barreira gélida, que lhe foi colocada pela tradição, de um avô a mostrar o seu amor por uma neta; a desilusão de um segundo filho, que por ser segundo não merece, mais uma vez a tradição, o respeito de um pai que adora; a tentativa de transmissão de valores obsoletos, serão !!, a uma juventude sem perspectivas obrigada a viver por inerência do seu local de nascimento num local recôndito do mundo.


Assiste-se neste “Whale Rider” ao cruzar de gerações, de tradições, de prioridades, enfim ao cruzar de vidas retratadas de uma forma simples, como a aldeia em que se desenrola a acção, com imagens sincopadas que por vezes nos leva a crer que assistimos a um documentário e não a um filme e ao desabrochar de uma actriz que por imposições financeiras e lobbys, que não existem, da industria cinematográfica e por puro azar de concorrer com a excelente interpretação de Charlize Theron, não ganhou o referido prémio.


Procurem por favor nos escaparates da vossa loja de vídeo este “Whale Rider. A domadora de Baleias”, percam o preconceito de assistirem a filmes independentes, e aceitem o legado que nos tentam transmitir neste filme.


Confesso que me consegui emocionar ao ponto de o mar do filme passar por artes mágicas ou por algo que desconhecemos da cultura Maori para os meus olhos.


 


publicado por digiman às 12:17
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